domingo, 14 de junho de 2009

Os Samurais e o Karatê

  O nome samurai é associado no ocidente à imagem do guerreiro, do lutador, mas pouca gente sabe que foi a classe dominante no Japão no seu período de maior calmaria social e que os verdadeiros samurais cultivava a busca do equilíbrio entre o caminho da espada e da pena. 
     Pelo caminho da espada se entenda: a habilidade na esgrima propriamente dita como também habilidade em todos tipos de armas e o entendimento das estratégias de combate, que era o que mais freqüentemente decidia o resultado da batalha; e pelo caminho da pena, que nenhum samurai verdadeiro se descuidava.
     O curioso é que o ocidente mitifica o oriente (decerto para torná-lo apenas admirável e não alcançável) e o samurai, de administrador sagaz e lutador completo é transformado aos olhos nossos em soldado fiel e truculento, imagem que nem de longe faz juz às suas (muitas) habilidades não combativas que dominava por força de sua própria formação. 
     Os japoneses crescem aprendendo que são um povo especial, amando a terra em que nasceram e aprendendo desde cedo a importância da introspecção, uma defesa clara contra o choque psicológico de morar em ilhas superpovoadas assolada por tempestades e terremotos constantes, os samurais não fugiam desta regra, antes, por fazerem parte da classe dominante e, pelo menos inicialmente não tendo as responsabilidades do poder propriamente dito, ajuntavam a este sentimento uma erudição de monta. 
     Sob forte influência das religiões (Budismo zen, Xintoísmo e Confuncionismo) que proliferavam no Japão de então, eles criaram seu código de honra e viviam por ele: o Bushido, que literalmente se traduz por "Caminho do Guerreiro" e surgiu no Japão entre as eras Heian e Tokugawa (séculos IX-XII).

"Não tenho pais, faço do Céu e da Terra meus pais; 
Não tenho lar, faço do saika tanden meu lar; 
Não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder; 
Não tenho meios, faço da docilidade meus meios; 
Não tenho poder mágico, faço da personalidade minha magia; 
Não tenho vida nem morte, faço do eterno minha vida e minha morte; 
Não tenho corpo, faço da força meu corpo; 
Não tenho olhos, faço do relâmpago meus olhos; 
Não tenho ouvidos, faço da sensibilidade meus ouvidos; 
Não tenho membros, faço da prontidão meus membros; 
Não tenho leis, faço da auto-proteção minha lei; 
Não tenho estratégias, faço da liberdade de matar e ressuscitar minha estratégia; 
Não tenho forma, faço da astúcia minha forma; 
Não tenho milagres, faço da justiça meus milagres; 
Não tenho princípios, faço da adaptabilidade meu princípio; 
Não tenho táticas, faço da rapidez minha tática; 
Não tenho amigos, faço da minha mente meu amigo; 
Não tenho inimigos, faço da imprudência meu inimigo; 
Não tenho armadura, faço da benevolência e da retidão minha armadura; 
Não tenho castelo, faço da mente inamovível meu castelo; 
Não tenho espada, faço do sonho de minha mente minha espada."

     Os samurais não tinham medo da morte e a noção  de honra inspirava-os uma lealdade como se viu poucas vezes na história. Quando um samurai perdia o seu Daymio (título do senhor feudal, chefe de um distrito) ele se tornava um RONIN, o que era um problema, pois não conseguindo ser contratado por outro e não tendo quem provesse o seu sustento, freqüentemente tinha que vender sua espada ou para poder sobreviver ou se entregar ao banditismo. 
      O ocaso dos samurais iniciou  quando as táticas de guerra incluiram as armas de fogo, o que exigia maior número de soldados que a qualidade destes soldados, e a honra e a habilidade pessoal de combate perderam espaço para o volume,mas o valor destes guerreiros não se perdeu, pois mesmo depois de  serem extintos oficialmente seu espírito permaneceu e norteou a reconstrução do país quando foi desmantelado após a Segunda Guerra mundial...

Nenhum comentário:

Postar um comentário